Na terra onde o rio parece estrada e a canoa muitas vezes vale mais que carro, criar uma Secretaria de Pesca não é luxo, é quase questão de sobrevivência. E foi assim que nasceu a Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura do Amazonas, a famosa SEPA, que nesta terça-feira (10) comemorou seu primeiro ano de vida oficial nas águas políticas e produtivas do Amazonas.
E como toda boa história amazônica, tem personagem principal.
No comando da rede está o secretário Alessandro Cohen Melo, manauara daqueles que conhecem bem a diferença entre discurso bonito e peixe no paneiro. Porque na política amazonense, meu amigo, promessa que não vira resultado é como pescaria sem isca: o povo até espera… mas não morde.
Cohen ou ‘amado’, como é chamado nos corredores do governo, tem uma característica que muita gente reconhece logo: é daqueles que trabalham quieto e aparecem pelo resultado. Não é secretário de fotografia, é secretário de ação. Enquanto uns ficam contando história de pescador, ele foi tratar de ajudar pescador de verdade.
E nesse primeiro ano a SEPA foi colocando o barco na água: distribuição de alevinos, apoio a piscicultores, organização do setor pesqueiro, incentivo à pesca ornamental e esportiva e, principalmente, olhar atento às comunidades ribeirinhas que fazem da água seu sustento e da rede sua esperança.
Claro que política não se faz sozinho. No Amazonas, quem acompanha sabe que o secretário navega em sintonia com o governador Wilson Lima, que decidiu transformar a pesca, um dos maiores potenciais do estado, em política pública estruturada.
E como toda boa história política amazonense também tem padrinho, o nome que aparece no pano de fundo dessa trajetória é o do deputado federal Silas Câmara. Experiente, articulador e velho conhecedor das correntes da política regional, Silas é apontado por muitos como o grande incentivador dessa caminhada.
No interior, dizem até em tom de brincadeira: “Silas armou a rede… Wilson jogou no rio… e Cohen está puxando cheia de peixe.”
Mas a verdade é que a criação da SEPA representa algo maior. No Amazonas, pesca não é apenas economia, é cultura, identidade e sobrevivência. Do pescador do Rio Negro ao criador de tambaqui do interior, milhares de famílias vivem desse setor.
E o primeiro ano da secretaria mostrou que havia mesmo espaço para um órgão dedicado a organizar, incentivar e fortalecer essa cadeia produtiva.
Se a política amazonense fosse uma grande pescaria, poderíamos dizer que a SEPA ainda está nos primeiros lances de rede. Mas pelo movimento da água, já dá para perceber que tem muito peixe grande vindo por aí.
E enquanto isso, em Manaus, nos corredores do governo, alguém comentou outro dia com humor bem regional: “Criaram uma secretaria de pesca… e finalmente apareceu um secretário que sabe puxar a rede.”
E assim segue a história da SEPA, navegando entre rios, políticas públicas e paneiros cheios de esperança para quem vive das águas do Amazonas.
*Marcello Amorim – jornalista e especialista em governança.